Antes de (re)ver um filme, dá uma olhada aqui!

Sabe aqueles filmes de ontem e anteontem que você viu e já esqueceu ou nunca viu, mas tem certeza que sim? Então! Dá uma olhada nestes aqui. Quem sabe ajudamos você a relembrar algumas cenas, elementos curiosos que aparecem nas imagens, ou mesmo, dizer algo que você realmente não viu. E, se não incluímos um detalhe, que você acha importante, comente e enriqueça as análises. Divirta-se!

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quinta-feira, 11 de março de 2010

Anna e O Rei (1999), de Andy Tennant

Se você já viu o filme O Rei e Eu (1956), de Walter Lang poderá ter certa resistência em relação a esta refilmagem, pois a história é muito semelhante e as situações idem. Porém deixe com que este filme te leve para dentro dele, pois se tentar encaixar um filme no outro você se arriscará a travar uma batalha que não compensa e perderá o que tem de mais encantador no filme de 1999, as diferenças.

O propósito aqui não é fazer comparações entre um e outro, mas em alguns momentos será inevitável pois daremos ao leitor a oportunidade de saber se ele quer diversão ao ver um ou algo mais dramático e sisudo em outro.

Anna é convidada para ministrar aulas, a pedido do Rei, no Sião. Com a promessa de ter uma casa, tipicamente inglesa e fora do palácio, e receber um bom salário a protagonista parte com seu filho para o país oriental. Chegando lá percebe que sua vida não será fácil, pois tanto ela quanto o Rei têm temperamentos difíceis e opiniões opostas em diversos assuntos. Além do que, o choque cultural faz com que a adaptação seja mais dolorosa.

Ocorre que, ao longo do tempo Anna e o Rei vão descobrindo a essência do outro e o que poderia ser o combustível para haver um distanciamento cada vez maior transforma-se numa relação de admiração e amor entre os dois.

Os cenários são grandiosos, luxuosos e naturalista, não dando espaço para ambientes exagerados ou "mágicos". Mas, nem por isso deixam de ser encantadores.

Aqui, diferente do filme de 1956, não é um musical e não foi incluída a sequência magistral da peça de teatro "A Casa do Pai Thomas". Apesar disso, o livro tem relativa importância em um momento do filme, mas não podemos compará-la ao anterior. É cuidadoso, tanto nos diálogos quanto na direção de arte, seus figurinos etc.

Tenso do começo ao fim. Com toques de tristeza, amargura e desilusões. Dá-se atenção maior às histórias menores tornando-o mais denso em relação a O Rei e Eu. Há menos inocência por parte dos personagens, tornando-os mais cruéis ou menos utópicos.

De qualquer forma, ele surpreende fazendo com que o espectador queira descobrir o desfecho das tramas. Tanto é que o final, além de não existir no primeiro, é carregado de suspense e reviravoltas revelando o que cada um dos personagens principais têm de melhor em suas atitudes.
Anna e O Rei e O Rei e Eu são histórias iguais, mas muito diferentes. Resta saber se você, leitor, quer se divertir ou refletir. E nos dois casos, você terá esta chance.

Os Dez Mandamentos (1923), de Cecil B. DeMille





Prepare-se para ver dois belíssimos filmes em um só.

Trata-se da história de Moisés (Theodore Roberts) e dos judeus, a partir do momento em que Deus castiga os egípcios aplicando ao país castigos por ter escravizado o povo de Israel até a elaboração final dos Dez Mandamentos. Ao Moisés receber a ordem de Deus e subir na montanha sagrada descobrimos que uma senhora chamada Martha McTavish (Edythe Chapman), de família humilde, lê esta história bíblica aos seus dois filhos.

A partir deste momento, começa a narração sobre a vida desta família. O irmão mais novo, John (Richard Dix) ignora seguir os 10 Mandamentos de Deus e decide sair de casa. Em uma lanchonete, seu lanche é furtado e ele e seus amigos vão atrás da mulher que saiu correndo com o lanche. Ela, tentando se esconder, entra em uma carpintaria que, na verdade, é a casa da família de John. Ao voltar para casa, ele encontra a garota e decide ficar. Os irmãos se apaixonam por ela, mas quem acaba ficando com a garota é John. Após isto, ele e a garota saem de casa, pois continuam achando que seguir os mandamentos é bobagem.

Três anos depois John enriquece como construtor, mas seu irmão Dan (Rod La Rocque) e sua mãe continuam na mesma situação. John ganha dinheiro fazendo irregularidades nas obras, a fim de obter mais lucro em seu negócio.

Até que um dia, John chama Dan para ser o responsável da carpintaria em uma obra da igreja. Ele aceita mas, percebe que há irregularidades e tentará fazer com que John perceba que aquilo é errado e pare de agir daquele modo em sua vida.

Há diversos outros elementos no filme que tornam a trama mais interessante. Por exemplo, o amor eterno que Dan nutre por Mary Leigh (Leatrice Joy) mulher de John; o destino da mãe dos rapazes ou mesmo o destino de John, Mary e Dan.

Ao comentar sobre o "primeiro filme" reparem como os cenários do Egito são impressionantes, imensos, imponentes. Observam a cena em que Ramsés, o rei do Egito (Charles de Rochefort), aparece sentado no trono e, pela perspectiva da câmera torna-se quase tão grande quanto uma estátua que está ao fundo, distante e, ainda, vemos ao lado do monumento uma pessoa de braços abertos, mínuscula, se comparada à escultura gigante.

O número de figurantes também é outro aspecto a ser notado, pois dá verossimilhança às cenas e enriquece todo o contexto do filme, com suas roupas e movimentos.

Prestem atenção na cena de perseguição dos egípcios ao povo de Israel. Vejam a agilidade e beleza dos cavalos e bigas correndo a uma velocidade surpreendente.

Um efeito especial que se torna encantador ocorre no momento em que o Mar Morto se abre, dando passagem aos judeus e, depois se fecha para aniquilar o exército egípcio que perseguia os primeiros.

No "segundo filme", além do conjunto ser especial, é brilhante a cena em que John segura uma argola de ferro e coloca atrás da cabeça de Dan fazendo alusão a uma auréola e Dan torce a mesma argola transformando-a num 8 - mais precisamente um 8 deitado, o símbolo de infinito -e a põe nos punhos de John fazendo referência a uma algema.

Principalmente, pela segunda parte da história, o filme nos mostra como os 10 Mandamentos podem ser atualizados para o início do século XX e mais, como histórias de desrespeito e falta de fé e amor ao próximo continuam sendo atuais, quase um século depois.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Pacto Sinistro (1951), de Alfred Hitchcock


Dois homens se conhecem em um trem. Um deles é o famoso tenista Guy Haines (Farley Granger) e o outro um jovem rico Bruno Anthony (Robert Walker). Bruno inicia uma conversa com o tenista e começa a especular sobre os jogos de tênis e a vida amorosa de Guy. Ao convidar o jogador para almoçar em sua cabine, Bruno sugere que eles matem seu pai e a mulher de Haines, porém que troquem de crimes, um mata a pessoa indesejada na vida do outro. Guy se esquiva e não dá muita atenção àquela conversa, afinal ele quer se livrar da mulher que o traiu, mas não a ponto de matá-la. Já Bruno, não suporta o pai e percebe-se querer fazer de tudo para dar fim à vida dele.

Ao chegar em sua cidade natal, Guy encontra sua mulher, os dois discutem. Na saída, ele liga para sua atual namorada, Anne Morton (Ruth Roman), e desabafa dizendo que apertaria o pescoço da, ainda, mulher até matá-la. À noite, o tenista liga para a casa de Bruno externando sua raiva e este entende como um sinal verde para matar a mulher de Guy.

Bruno, então, vai ao encontro da mulher de Haines, Miriam (Kasey Rogers), e a estrangula com as próprias mãos numa ilha dentro de um parque de diversões, chamada Ilha do Amor.

A partir daqui, Guy torna-se o principal suspeito do assassinato e Bruno o persegue na tentativa de que o tenista "cumpra" o combinado e mate o pai de Anthony.

Hitchcock sabia trabalhar o suspense como poucos e isso faz com que o filme seja tenso do início ao fim.

Além disso, o diretor, de forma sutil e por meio de detalhes, nos conduz de forma a fazer com que o espectador participe da trama querendo descobrir o que ocorrerá a seguir e torcer por este ou aquele personagem.

No início do filme vemos apenas dois sapatos na mesma situação, mas em direções opostas. Vemos que duas pessoas estão saindo de um táxi carregando malas. Depois, vão em direção à estação de trem e entram no vagão até os dois se sentarem e um deles, ao cruzar a perna toca o bico do sapato no outro à sua frente. Esta foi a forma magistral que Hitchcock encontrou para que Bruno e Guy iniciacem uma conversa.

Quando Bruno persegue Miriam reparem nos bloqueios que existem entre eles, afinal eles não se conhecem, ela está acompanhada de dois rapazes e ele está tentando de alguma forma uma aproximação a fim de cometer o crime. Reparem que Bruno espera Miriam sair de casa e além da rua que separa os dois, logo em seguida chega um ônibus. Após isto, há um menino no parque que serve como um novo entrave na perseguição.

É quase uma jornada que Bruno enfrenta atrás de Miriam, aumentando nossa ansiedade a cada aproximação. Anthony, começa a segui-la dentro de um ônibus, depois à pé, no carrossel, no barco, enfim, a cada novo meio de aproximação a perseguição torna-se cada vez mais tensa.

Há outra cena brilhante. Miriam já percebe que um homem a olha e a segue e ela até acha graça e simpatiza com a situação. Em determinado momento, Miriam e seus dois colegas estão num brinquedo - em que deve-se bater com um martelo e quem tocar o sinal ganha um brinde. Os dois jogam, mas não ganham a boneca para Miriam. Bruno fica de frente para Miriam, olha para ela, olha para suas mãos (mãos dele) e as esfrega dando sinais de que aquelas mãos serão as responsáveis pela morte da garota. Em relação à atenção dada às mãos de Bruno, reparem em uma cena anterior quando a mãe dele faz suas unhas.

Ao se aproximar cada vez mais de Miriam, Anthony agora está em um barquinho em direção à Ilha do Amor, bem atrás do trio. Vejam, no túnel como mesmo um pouco afastado a sobra de Bruno "engole" a sobra de Miriam. Ao mesmo tempo que é sutil nos mostra claramente que a partir dali é o fim da personagem. E, em contraposição a isto, ao mesmo tempo em que a sombra encontra a de Miriam ela diz aos amigos que estão rindo e brincando no barco á frente: "Pare, pare com isso. O que você está fazendo. Pare!"

Outra sequência angustiante são as cenas paralelas em que Guy joga uma partida de tênis e Bruno tenta pegar o isqueiro de Guy que caiu em um bueiro. Este isqueiro, Guy esqueceu na cabine de Bruno quando almoçaram juntos no trem e, agora, Bruno que colocar o objeto na Ilha onde Miriam foi morta para incriminar Haines, pois no isqueiro há a inicial do nome do tenista e de sua namorada e também duas raquetes cruzadas.

É um thriller eletrizante. Até o último instante, não sabemos realmente quem responderá pelos atos impensados cometidos no início da trama. (Re)ver este filme é tentar antecipar a todo momento a cena seguinte. É (re)ver Hitchcock. E ele, como de costume, está no filme. Basta procurar.

Drácula (1992), de Francis Ford Coppola


Baseado na história original de Bram Stocker, Dracula conta a trajetória de um guerreiro que ao voltar de uma batalha descobre que sua amada Elisabeta (Winona Ryder) havia se matado, pois fizeram-na acreditar que ele estava morto, fazendo com que ela se suicidasse. Após isto o homem, como um morto-vivo, atravessa séculos isolado em seu castelo na Transilvânia.
Reparem aqui, como nos é mostrada a guerra santa. É um belíssimo teatro de sombras que consegue transmitir certa leveza e sutileza visual, durante a batalha.

Após este tempo de enclausuramento, Dracula (Gary Oldman) resolve ir para Londres adquirir alguns imóveis e contrata um advogado (Keanu Reeves) que vai ao seu castelo e é aprisionado pelo Conde. No trajeto de navio até a cidade, o protagonista mata toda a tripulação, sugando o sangue deles. Por conta disto, o vampiro torna-se mais jovem.

Ao chegar em Londres e passear pela cidade encontra uma moça, na rua, chamada Mirna que, de tão parecida com seu eterno amor Elisabeta, Dracula acredita ter encontrado a reencarnação da pessoa amada.

A chegada de Dracula à Londres visualmente magnífica. Em primeiro lugar, nos é mostrado diversos jornais com a data de 7 de julho de 1897 e, logo a seguir, um rapaz anunciando a chegada do cinematógrafo (aparelho patenteado pelos irmãos Lumière, em 1895, que tinha a capacidade de captar e reproduzir imagens em movimento).

Vemos também, a utilização de técnicas aplicadas no início do cinema. Observem as imagens das pessoas andando pelas ruas de Londres. São feitas de forma a parecer com as câmeras utilizadas nos primeiros filmes mudos - que rodavam de 16 a 20 quadros por segundo - e que nos davam a impressão de as imagens estarem sempre numa velocidade mais rápida que o natural.

Outro efeito, frequentemente utilizado pelo cinema no início, era a passagem de uma cena a outra fazendo uma espécie de círculo que vai se fechando até abrir-se novamente e já estar contido nele outra cena.

Existia no final do século XIX uma espécie de estabelecimento comercial chamado vaudeville e, nestes lugares, as pessoas podiam comer, beber, assistir a performances de diversos artistas, mostras com animais etc., um lugar que apresentava uma variedade de opções para atrair o público. Quando o cinema começou a fazer parte do cotidiano das pessoas, os vaudevilles introduziram-no como mais uma opção de divertimento. E, no filme podemos ver como eram estes lugares na cena em que Mina e o Conde estão assistindo a um filme de pé, como era natural fazê-lo nestes locais.

Outro aspecto a ser notado são sequências feitas com uma aparência quase preto e branca e, em contraste, vemos a cor vermelha estourarem na tela de uma forma intensa fazendo referência ao sangue, elemento essencial na trama.

As sombras utilizadas de forma precisa e enriquecedora remete a filmes expressionistas e mais diretamente ao filme Nosferatu, de F.W. Murnau de 1922, que conta a história do Conde Dracula, de Bram Stocker não autorizada, por isso a utilização do nome Nosferatu que significa vampiro.

É um filme encantador, visualmente rico e com diversas referências ao cinema do início. Vale a pena (re)ver e apreciar o trabalho brilhante do diretor Francis Ford Coppola, responsável, entre outros trabalhos, por filmes como O Poderoso Chefão (1972) e Apocalypse Now! (1979).

terça-feira, 9 de março de 2010

O Fantasma (1996), de Simon Wincer


Baseado no personagem dos quadrinhos de Lee Falk e Jeffrey Boam (desenhista e escritor das histórias do personagem), este filme conta como, há 400 anos, um menino teve seu pai morto e uma tribo deu ao garoto, por meio de um anel um superpoder que o ajudava a se proteger e a proteger, também, a Ilha de Bengala. Após isto, o anel foi passado de pai para filho e está na sua 21a. geração.

O Fantasma (Billy Zane) deve impedir que as Caveiras de Touganda caiam em mãos erradas, pois juntas têm um grande poder de destruição. Ocorre que, um empresário maquiavélico chamado Xander Drax (Treat Williams) descobre o paradeiro de duas delas e, também que ao juntar as duas elas indicarão a terceira e o super-herói deverá detê-lo. Num determinado momento da trama, descobre-se que a irmandade Sengh (um grupo de piratas) também está atrás das caveiras e a disputa se acirra com estes novos interessados.

É um filme de pura aventura muito próxima às histórias em quadrinhos do Fantasma.

As características visuais do protagonista, no filme, impressionam. Seu disfarce, muito bem feito, e também, a semelhança entre o ator Billy Zane e o Fantasma dos gibis são muito corretas.

O filme não chega a ser eletrizante e, por vezes até fantasioso demais. Mas se o que procuramos em um filme de aventura é a fantasia, as buscas, surpresas no meio do caminhos e batalhas entre o bem e o mal, aí está um filme repleto destes elementos.

Não levem muito a sério o desempenho de Catherine Zeta Jones (interpretando a personagem Sala) prefira dar atenção à outra personagem Diana Palmer (Kristy Swanson), esta sim cumpre o papel da mocinha colocando o super-herói em apuros, dando impulsos para que a trama ande.

Outro personagem que deve-se dar atenção é o taxista Al the Cabby (John Capodice) que, apesar de aparecer em poucas cenas, com seus trejeitos sutis surge para enriquecer algumas passagens de forma alegre e surpreendente que cativa logo ao perceber que os diamantes recebidos de Kit Walker (O Fantasma) são bem reais.

Enfim, o filme cumpre a sua proposta e é ótimo para àqueles momentos que queremos relembrar os tempos de Sessão da Tarde.

sábado, 6 de março de 2010

Syriana (2005), de Stephen Gaghan


Syriana nos mostra as relações entre os governos americanos, do Oriente Médio e empresários destes dois lados ao tratarem das relações comerciais petrolíferas.

Apesar de ser um filme que contém diversas linhas narrativas ele não se complica. Mas, por conta disto, deve-se ter um pouco mais de atenção e cuidado ao acompamhar a(s) história(s), pois qualquer descuido pode levar o espectador a perder uma parte importante da trama que é interrompida a todo instante a fim de retomar a história de um ou outro personagem mais à frente.

O interessante a se perceber, aqui, são os diálogos e os jogos políticos e comerciais tratados no mundo do petróleo, em especial entre os EUA e Oriente Médio. Podemos ver de que forma o dinheiro e o governo podem interferir na construção, desenvolvimento e destino de um país que tem como base fundamental da economia o comércio de petróleo.

Bob Barnes (George Clooney) é um agente da CIA. Reparem na cena inicial do filme. Eletrizante.

Bryan Woodman (Matt Damon) é um empresário e consultor dos negócios do petróleo. Prestem atenção como este personagem lida com a sua vida familiar e profissional. Frio e calculista.

Bennett Holiday (Jeffrey Wright) é um empresário em início de carreira que se associa com Jimmy Pope (Chris Cooper) magnata do ramo petrolífero. Observem como a relação entre Bennet e o pai (William Charles Mitchell) é tensa e ao mesmo tempo distante. Bennett não tem "vida" fora do trabalho e mesmo quando há a oportunidade disto ocorrer ele não cede.

Syriana é daqueles filmes em que temos a oportunidade de absorver e entender um pouco melhor como funcionam as estratégias nos grandes negócios e nas grandes corporações.

Outro aspecto é perceber como é difícil equilibrar o sucesso profissional e o pessoal (familiar), pois vemos aqui que o segundo não existe ou caminha em direção ao fracasso quando o primeiro é alcançado.

Via de regra, esta situação pode ser diferente, mas ao vermos Syriana parece que no mundo do petróleo a escolha de qual sucesso se quer deve ser feita de uma forma definitia. Sem volta.

Entre os Muros da Escola (2008), de Laurent Cantet


Este filme francês trata de uma escola pública francesa e a relação entre os professores e alunos do 8o. ano.

Diz respeito às dificuldades que os professores têm de enfrentar em relação à liderança em sala de aula, que lhes cabe, e o choque entre eles e os alunos que, além de serem representantes de uma classe social menos favorecida da França têm de enfrentar as diferenças culturais, que sempre vem à tona, pois em uma mesmo ambiente estundantil há chineses, árabes, franceses e africanos tendo de lidar com suas diferenças, semelhanças e atritos.

O filme é tenso do começo ao fim e nos faz pensar, durante toda a trama, que algo sério ou grave irá acontecer. Mas, a grande surpresa boa é que não há grandes acontecimentos. Não há lições de moral que fazem o mundo ser melhor ou transformem os alunos em representantes do sucesso pessoal ou vitória de professores que conquistaram seus alunos e fizeram-nos perceber que o caminho correto é seguir seus conselhos.

O que faz o filme brilhar é justamente mostrar o dia a dia entre professsores e alunos da escola pública francesa, as dificuldades enfrentadas pelos dois lados, seus pontos de vista, suas fraquezas, adapatações e mudanças que podem ocorrer duarente um ano letivo.

Nos leva à "realidade" de vidas dando-nos o exemplo que uma situação, uma escolha desencadeia a outras, sem grandes vitórias ou grandes derrotas, nos mostrando apenas o esforço de alunos, pais e professores de sobrevirem e tentarem ir adiante, com suas convicções, sem que ocorra uma troca de valores e aprendizado que transformem profundamente aquele meio.

Outro fator a ser percebido no filme são as atuações, pois o filme contém, tanto nos alunos como nos professores, a interpreatção de atores amadores, o que torna as interpretações mais naturais e espontâneas, tendo até um aspecto de documentário ou impressões da realidade. Tanto é que, a obra foi adaptada do livro "Entre os Muros" (2006) escrito por François Bégaudeau que interpreta o professor François Marin, no filme.

Procuramos em filmes de ficção histórias que nos transmitam uma dose de fantasia, mas de vez em quando, sermos surpreendidos com doses de realismo podem nos fazer enfrentar, de forma mais clara, as adversidades do cotidiano.

O Rei e Eu (1956), de Walter Lang


O Rei e Eu é um musical, baseado em história real. Uma professora inglesa é convidada a ministrar aulas de inglês e cultura geral aos filhos do rei de Sião, no final do séc XIX. O Rei e a professora debatem e discutem ao longo do filme defendendendo seus pontos de vista, mas ao mesmo tempo vão se envolvendo e começam a entender melhor o outro.

Prestem atenção nos salões rosa e amarelo (dourado), têm-se a impressão que sairão da tela. Outro aspecto do cenário a se perceber diz respeito aos jardins do palácio, parecem printura.

As imagens do filme são belíssimas. Os cenários e as roupas são impecáveis. Prestem atenção nos salões rosa e amarelo (dourado), quase monocromáticos, mas cheios de vida e nos jardins que são belos até nas cenas noturnas. Reparem, também, na sequência em que os filhos do Rei de Sião são apresentados à professora Anna Leonowens (Deborah Kerr), no salão rosa. É de encher os olhos. A cada apresentação de um novo personagem somos presenteados com trajes magníficos ou com boas surpresas em relação ao tratamento dos filhos em relação ao Rei, nos conduzindo a um quase querer de suspensão do filme naquele momento. Algo que ser massante e redundante transforma-se numa "pintura" onde podemos apreciar diversos detalhes do cenário e personagens, como num museu.

O filme é tão rico em direção de arte que levou o Oscar em 1957 sobre este quesito. Além deste, conquistou também, o prêmio de melhor ator principal para Yul Brynner (O Rei), figurino, trilha sonora e som.

Se tivéssemos de escolher uma sequência, esta seria a da peça de teatro exibida para o embaixador do Reino Unido, Sir John Hay e convidados. Adaptada e caracterizada aos moldes orientais, foi baseada no livro "A Cabana do Pai Thomas", de Harriet Beecher Stowe, e quase adquire vida própria no filme, não fossem os cortes que mostram os personagens assistindo à peça. Os efeitos utilizados, aqui, encantam. Tanto pela sutiliza como pela destreza em solucionar trechos da história que seria difícil reporoduzir como a tempestade ou nos momentos em que o mar congele e depois engole os soldados de rei. São soluções que elevam o filme a um patamar cada vez mais alto de cuidado artístico.

Por mais que tente descrever suas cenas, cenários, figurino, etc. etc. etc. jamais chegarei próximo ao que o espectador poderá apreciar ou redescobrir vendo este filme.

Quer mais beleza em sua vida? (Re)veja O Rei e Eu e dexe-se encantar. Afinal, o que os olhos vêem o coração sente etc. etc. etc.