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Antes de (re)ver um filme, dá uma olhada aqui!

Sabe aqueles filmes de ontem e anteontem que você viu e já esqueceu ou nunca viu, mas tem certeza que sim? Então! Dá uma olhada nestes aqui. Quem sabe ajudamos você a relembrar algumas cenas, elementos curiosos que aparecem nas imagens, ou mesmo, dizer algo que você realmente não viu. E, se não incluímos um detalhe, que você acha importante, comente e enriqueça as análises. Divirta-se!

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terça-feira, 6 de abril de 2010

Grande Hotel (1932), de Edmund Goulding


Diversos personagens surgem, quase que ao mesmo tempo, mostrando-se e contando-nos um pouco de sua história. Ao som de Danúbio Azul, de Strauss, o hall do Grand Hotel parece um salão de festas onde as pessoas, quase em ritmo de valsa, vão para lá e para cá. Uns saindo, outros entrando, sempre em movimento. Como num baile, algumas pessoas interferem nos movimentos dos outros e é natural ocorrer troca de pares.

E é este ritmo e esta sensação de valsa que comandará e regerá o filme do começo ao fim.

Logo no início conhecemos, ou sabemos pelos outros, a existência de: uma famosa bailarina russa, chamada Grusinskaya (Greta Garbo) que se apresentará na cidade (Berlim); um Barão educadíssimo, fino e elegante, chamado Felix von Geigern (John Barrymore) mas descobriremos, em breve, que ele é um ladrão de joias; uma estenógrafa de beleza encantadora, chamada Flaemmchen (Joan Crawford), que é sempre cortejada por vários homens do hotel, a começar pelo seu chefe, Preysing (Wallace Berry) que está na cidade para fechar uma fusão com outra empresa de grande porte; Otto Kringelein (Lionel Barrymore), após descobrir-se doente, pretende gastar todas as suas economias e viver do bom e do melhor até que sua vida ou seu dinheiro cheguem ao fim; o dono do hotel, Dr. Ottenschlag, homem elegante e atencioso, tem seu lado esquerdo do rosto desfigurado por uma acidente, mas o que lhe é peculiar diz respeito à sua principal reclamação de que no Grand Hotel, nada acontece, as pessoas vão e vem.

Apesar de nos perdermos, no início, é interessante conhecer e saber o que ocorrerá com cada um dos personagens; o que ocorrerá dali para frente e qual será o destino de cada um. É um ensemble show dos bons - ocorre quando a história deixa de focar o personagem principal e dá atenção ao grupo, às histórias de cada um dos personagens e ao que ocorre no ambiente de encontro destes, neste caso, o Grand Hotel. (STARLING, 2006).

Percebam que bela cena e que belo cenário é o saguão do hotel visto pelas sacadas internas. Impressionante. Aliás, a direção de arte e design de produção são irretocáveis.

De forma frustrante, Greta Garbo parece estar em uma peça de teatro. Com seus gestos e modos de falar exageradamente dramáticos e melancólicos, destaca-se, de forma artificial, a todo o clima e aos personagens que a cercam.

Em compensação, percebam que atuação brilhante do ator Lionel Barrymore, interpretando o contador Kringelein, em qualquer momento. Lionel consegue transformar um senhor, quase maltrapilho e cansado em um personagem carismático, sensível e, ao mesmo tempo, leve e divertido, fazendo o espectador esquecer dos problemas de Kringelein. Há uma cena encantadora, onde tudo parece colaborar de modo a se destacar do todo, em que Kringelein está embriagado e chega ao seu quarto. Observem como a câmera titubeia, por diversas vezes e, nos dá a impressão que quase o perderá no enquadramento, nos fornecendo uma maior sensação de torpor do personagem. É muito sutil, e esse é o ponto. Pela leveza da forma de realização desta sequência podemos constatar o trabalho primoroso em todo os momentos do filme.

Em momentos pontuais, o dr. Otternschlag, dita o ritmo da "valsa fílmica" como um maestro, levando a história de uma lado ao outro e alertando-nos que nada do que ocorre ali é demais. Tudo é normal e natural, até mesmo o assassinato que ocorre durante a trama.

Com excelente roteiro, o final não poderia deixar de ser surpreendente. Onde tudo parece estável e, até torcemos para que as pistas fornecidas pela trama se confirmem, de repente um ato, um acontecimento - como uma mudança de música ou de estilo musical em uma festa - faz com que os pares troquem de casal e outros simplesmente deixem a pista de dança.

(Re)ver Grnad Hotel é apreciar um musical sem os diálogos em forma de canção e, muito menos, performances objetivas de números de dança coreografados. E, ao mesmo tempo, perceber a música, quase nunca presente, ditando o ritmo do filme, os passos dos personagens, de forma silenciosa aos ouvidos e num excelente tom aos olhos.

Um comentário:

  1. Olá Alexandre, ótimo blog. encontri-o por acaso, estava pesquisando sobre o filme Sociedade dos Poetas Mortos. Assisti, ou melhor, revi ele a pouco e postei um blog.

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