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Antes de (re)ver um filme, dá uma olhada aqui!

Sabe aqueles filmes de ontem e anteontem que você viu e já esqueceu ou nunca viu, mas tem certeza que sim? Então! Dá uma olhada nestes aqui. Quem sabe ajudamos você a relembrar algumas cenas, elementos curiosos que aparecem nas imagens, ou mesmo, dizer algo que você realmente não viu. E, se não incluímos um detalhe, que você acha importante, comente e enriqueça as análises. Divirta-se!

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quarta-feira, 24 de março de 2010

Os Doze Condenados (1967), de Robert Aldrich


O major americano Reisman (Lee Marvin), durante a Segunda Guerra Mundial, é convocado por seus superiores a reunir e treinar 12 condenados à morte a fim de fazerem um ataque quase suicida a um castelo na França e matar o maior número possível de alemães.

O filme começa com uma cena de um condenado sendo enforcado por praticar um crime. A partir daí, sabemos que os 12 escolhidos terão o mesmo destino, ou pelo menos, terão a chance de tentar sobreviver na guerra. Apesar de algumas resistências, os escolhidos aceitam arriscar e decidem se submeter ao treinamento. Mas, Reisman avisa de antemão que, se alguém sair da linha, morre. E, se alguém cometer atos não condizentes ao esperado e desestabilizar a ordem, os outros sofrerão as consequências. Portanto, deixa na mão do grupo inteiro a responsabilidade de cuidar de um ou outro que queira subverter a ordem.

Uma curiosidade a parte, os 12 condenados são apresentados ao Major Reisman aos doze minutos de filme.

A direção de arte e o figurino são muito bem feitos e trazem à tela uma verossimilhança bem arquitetada. Prestem atenção aos uniformes, às locações externas e, principalmente, aos prédios e locais do dia-a-dia de treinamento do exército.

O roteiro é focado no treinamento e no detalhamento das histórias dos personagens, muito mais do que simplesmente na guerra em si, ou mesmo, na operação a que eles se destinam. E isto é que faz do filme algo interessante e não apenas aqueles combates, tiros e explosões comuns em filmes deste tipo.

Percebam, por exemplo, a curiosa e inusitada festa que Reisman prepara, em seu alojamento, para os comandados em comemoração ao fim do treinamento. O mais curioso é notar a falta de tato e a timidez dos condenados quando veem adentrar diversas prostitutas prontas para diverti-los. Até o primeiro tomar uma iniciativa, todos ficam ali, imóveis e perplexos, não entendendo muito bem qual deveria ser o próximo passo, até Reisman sair e fechar a porta, deixando-os, como ele mesmo disse, mais à vontade.

A invasão do castelo é repleta de surpresas e carregada de suspense. Dá frio na barriga, cada vez que o major cruza um alemão. Sua sorte é que um dos condenados que ele leva, a tiracolo, o soldado Joseph Wladislaw (Charles Bronson), fala alemão e com isso não levanta suspeitas. Mas, a cada olhar estranho, dentro do castelo, ou uma aproximação de um alemão para falar com os dois, causa um tremor enorme no espectador, pois a qualquer momento eles podem ser descobertos.

Além disso, há outros soldados do lado de fora, entre eles, Vernon Pinkley (Donald Sutherland), que fica de guarda ao lado do carro que está posicionado na entrada do castelo e, por diversas vezes, tem contato com outros soldados alemães, nos levando a pensar que desta vez ele será descoberto.

Após dominarem o château, os alemães correm para se esconder em um abrigo subterrâneo. Ao passo que, quando todos estão lá dentro, Reisman e Wladislaw trancam as duas portas que separam o abrigo do castelo, encurralando-os. Claro que eles ficam desesperados, pois não têm para onde ir e até o reforço chegar, pois o alarme foi disparado, muita coisa pode acontecer. E acontece.

Enquanto alguns dos 12 estão nas entradas do castelo para não deixar que os soldados alemães de reforço entrem e estraguem os planos americanos, outros abrem os respiros do abrigo, jogam granadas, ainda com os pinos e, após isto, despejam gasolina. Ao mesmo tempo, vemos o desespero dos alemães tentando pegar as granadas, mas não conseguem, pois estão presas entre as grades.

Como numa cena esportiva, o soldado Robert Jefferson (Jim Brown) sai correndo e joga uma granada, desta vez sem o pino, em cada buraco de respiro causando assim a explosão cadenciada do castelo e fazendo com que ele imploda, tendo em vista o abrigo ser subterrâneo.

A mensagem principal do filme, é mostrar como um ser humano que cometeu erros no passado, por diversos motivos, mas ao ter uma nova oportunidade e um objetivo de vida pode mudar e respeitar o próximo. Afinal, é sensível perceber a mudança no tratamento e na confiança dos dois lados major e condenados e vice versa.
Vale, também, citar o trabalho de Ernest Borgnine, no papel do General Worden e os nomes dos outros soldados, não citados no texto, aliás entre eles grandes nomes como: Victor Franko (John Cassavetes), Archer Magott (Telly Savallas), Pedro Jimenez (Trini López), Samson Posey (Clint Walker), Milo Vladek (Tom Busby), Glen Gilpin (Ben Carruthers), Roscoe Lever (Stuart Cooper), Seth Sawyer (Colin Maitland) e Tassos Bravos (Al Mancini).

(Re)ver Os Doze Condenados é ter a oportunidade de acompanhar o lado mais humano de episódios tristes como uma guerra, mas além disso, é ter a oportunidade de conhecer - para quem gostou de Bastardos Inglórios (2009) - um dos filmes que, certamente, tiveram grande influência nas escolhas do diretor Quentin Tarantino mostrando que os clássicos estão mais latentes do que nunca.

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